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A vida, através dos filmes, a navegar neste rio...

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 21.02.13

Este rio sem regresso já trouxe muitos filmes consigo mas é da vida que trata. A vida é que sobressai em tantos filmes...

Já o disse aqui que no cinema prefiro o que é verosímil, próximo da realidade. A fantasia delirante não me atrai, embora lhe possa reconhecer valor artístico e cinematográfico. É a realidade que me seduz, a vida, a experiência, as emoções, os sentimentos, um percurso, um caminho, as consequências de cada decisão e de cada escolha, os imponderáveis, as surpresas, os encontros e desencontros, as expectativas.

 

Alguns filmes trazem-nos a vida lá dentro, nas personagens sobretudo, na forma como encaram as situações, como se adaptam ou  modificam as suas circunstâncias, por vezes adversas, como enfrentam os desafios. Digamos que há filmes inspiradores. Tal como os livros, só que com vozes lá dentro, os sons e os silêncios, os risos e as lágrimas, e por vezes os lugares, as árvores, as cidades, as atmosferas. É essa a possibilidade do cinema que destaco e registo na alma, a densidade de uma atmosfera. 

Para tudo isto acontecer - e tantas vezes é a sorte de felizes encontros -, entra um grupo de pessoas, o guionista, o realizador, o produtor, o director de fotografia, os actores, o compositor, e sabe-se lá mais que influências, que conversas, que trocas de ideias, cada um a colocar um pouco de si próprio no trabalho final. 

Mas é ainda ao realizador e ao seu olhar único sobre uma ideia, um guião, que podemos atribuir a atmosfera única de cada filme, é esta a minha convicção. O seu olhar prevalece, mesmo que trabalhe em equipa como parece ser a tendência actual. Já lá vão os tempos de realizadores autocráticos como o Hitchcock ou maníacos como Orson Welles. E tantos outros génios do Cinema.

 

Já aqui fiz um dia um apanhado das décadas de Cinema a navegar neste rio. Hoje deixo aqui uma actualização, não apenas por décadas de Cinema mas também pelos realizadores mais representados:

 

A 1ª década de 2000 continua a mais representada com 37 filmes. Além dos referidos na altura, gostaria de destacar que, destes apresentados mais recentemente, o tema central é a violência. A sua natureza original na própria família e cultura de grupo, no incómodo e angustiante O laço Branco. A violência silenciada e aceite na reviravolta política da África do Sul em Disgrace. Uma outra forma de violência, a indiferença, mais grupal e das organizações do que a individual, em Babel. Indiferença, distância emocional e frieza nas empresas actuais e na forma como se descartam de recursos humanos em Nas Nuvens. A violência da guerra, neste caso a do Iraque, mas pode aplicar-se a todas as guerras, em Jogo Limpo (Fair Game), Jogo de Peões (Lions for Lambs), Combate pela Verdade (Green Zone). A violência e o caos generalizado numa projecção num futuro não muito distante em Children of Men.

Para nos consolar de tanta violência, só mesmo o humor de Woody Allen em A Maldição do Escorpião Jade, Vais Conhecer o Homem dos Teus Sonhos e Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works).

De destacar ainda a mudança de perspectiva de um homem de meia idade: um, sobre o balanço da sua vida em As Confissões de Schmidt, o outro, o desafio que é lidar com a genica de um grupo de senhoras idosas, em Pranzo di Ferragosto.

 

A década seguinte mais representada é a dos anos 50 com 29 filmes. Além dos já aqui referidos, estes são todos magníficos: mais um William Wyler, Desperate Hours, mais um Anthony Mann, The Tin Star, mais um Douglas Sirk, Written in the Wind, um Billy Wilder, Sunset Boulevard, e um Robert Wise, Executive Suite.

 

A seguir, com 21 filmes, a década de 90, com mais este Jerry McGuire, e com 17 filmes, a década de 80, com mais estes Finnegan e O Turista Acidental.

 

A década de 40 não está mal representada apesar de tudo. São 13 filmes no total, acrescentados mais um Hitchcock, Rebecca, e um King Vidor, The Fontainhead.

 

As décadas menos representadas mantêm-se a de 60, com 9 filmes, a de 70 com 7, e a de 30 com 5, já apresentados na altura.

 

Quanto a realizadores, os mais representados e referidos são: John Huston com 6 filmes e referências a filmes, Steven Spielberg com 5, Frank Capra e Woody Allen com 4, William Wyler e Alfred Hitchcock com 3, John Ford, Joseph Mankiewicz, Elia KazanDouglas Sirk, Anthony Mann, Ingmar Bergman e Robert Wise com 2.

 

Estes são os grandes, entre outros, realizadores, numa época em que a realização era uma arte original, a desbravar caminhos, a experimentar planos e sombras, a adaptar a narrativa à linguagem própria do cinema, e a  escavar mais fundo na alma humana, no seu lado luminoso e no seu lado mais negro.

Hoje o Cinema tem outros desafios, pode escolher a maior simplicidade e naturalidade ou a maior complexidade e artificialidade, pode jogar, simular, cortar e colar, num ritmo muito mais veloz e adaptado ao tempo actual, sincopado e ansioso, por vezes ansiógeno.

 

Mas estes realizadores, entre outros, são muito mais do que pioneiros numa arte e numa linguagem única, imagem, movimento e som. Criaram uma atmosfera única, um olhar completamente novo, a frescura de todos os inícios e descobertas.

 

Para animar os Navegantes deste rio, e como síntese de homenagem a todos os realizadores que aqui navegam também, aqui fica uma cena de Manhattan com um dos pares que melhor funcionaram nos diálogos da comédia woodiana. Manhattan, como já repararam, é um dos meus filmes preferidos. Uma boa navegação... e não se deixem desviar por nevoeiros...

 

 

 

 

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publicado às 23:16

Os primeiros anos das idas ao cinema

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 06.02.09

 

Quando transitei do colégio para o liceu já estávamos em vésperas do 25 de Abril. Portanto, as minhas idas ao cinema com mais frequência coincidiram com a revolution. Registo aqui os filmes que mais me impressionaram mas, para que não fiquem a pensar que não vi muito cinema em sala, no grande écran, coloco aqui uma breve lista de muitos outros, desses anos 73 a 80 (pelo menos dos que eu me lembro).


O primeiro filme que registei para sempre foi o Cabaret com uma frenética Liza Minnelli. Aquela fidelidade a uma época passada, os anos 30, numa Berlim decadente, visível no guarda-roupa (impecável!), e na captação do ambiente de crescente agressividade e cultura bélica, obsessiva, doentiamente nacionalista, dos nazis. Sim, há ali um contraste entre a alienação do cabaret e a violência prestes a explodir nas ruas. E há ainda aquela voz de Liza Minnelli, a lembrar vagamente o timbre inconfundível da voz da sua mãe, Judy Garland... E aquela despedida numa estação de comboio! Não consegui perceber, na altura, porque é que ela decidira destruir a possibilidade do amor e de uma vida dentro de si, como se estivesse programada para a impossibilidade de outra vida fora dali, daquele cabaret.


Como disse, a fidelidade histórica nos cenários, no guarda-roupa, na linguagem e comportamentos das personagens, ainda era rara em cinema. Veremos em muitos filmes dos anos 70 este fascínio pelos anos 20 e 30. Há ali afinidades socio-culturais, a meu ver: uma rebeldia, uma irreverência, um espírito juvenil, uma certa descontracção. Será assim em O Nosso Amor de Ontem, A Golpada e O Grande Gatsby.

 

Mas esta fidelidade histórica surgirá mesmo de forma avassaladora, como nunca antes tinha experimentado, no Barry Lyndon de Stanley Kubrick! O meu Kubrick preferido. Para mim, foi a novidade total! Uma verdadeira viagem no tempo: a atmosfera, a cor, o sabor, a sensualidade de uma época. E aquela banda sonora, acompanhando as aventuras e desventuras de um jovem ambicioso mas pouco sensato. Há planos verdadeiramente fabulosos, de tirar o fôlego, mas o que me hipnotizou foi a atmosfera e essa viagem no tempo. (Este é provavelmente o filme da Marisa Berenson e inequivocamente o filme de Ryan O' Neill).

 

Ainda gostaria de referir aqui um outro, de que não gostei mas por razões alheias à estética, um Visconti, Morte em Veneza, colorido em tons pastel, tão poético e tão incrivelmente decadente... Até a música do Mahler, nas águas prateadas de Veneza, me soou a finados e a flores murchas... Nada no filme nos inspira a viver. Tudo nos inspira a morrer...


Muitos outros filmes terei visto, muitos sem merecerem registo na memória, por isso os esqueci... Vivia-se por essa altura uma atracção por tudo o que tinha sido interdito. O que quer dizer que apareceu muito filme revolucionário e muito filme pornográfico.
Esta onda revolucionária também passou na televisão: em vez dos filmes e séries americanas, passou-se para séries de Leste, believe you me! E para filmes cubanos, chilenos, etc. Nos filmes de animação não era melhor: vinham da Checoslováquia (lembram-se dos programas do Vasco Granja, com aquele sorriso eufórico?) Acredito que as gerações pós-revolution gostem desta animação (até porque os checos têm uma história interessante de teatro de marionetas), mas, para quem tinha crescido com o Duffy Duck, os Thunderbirds...


Os anos 80 já foram melhores, no cinema e na televisão. Houve ciclos de cinema, por realizador, e na televisão voltaram a passar os clássicos. Respirei de alívio. Em breve surgiriam as cassettes onde se podia gravar programando o horário (até conseguir acertar com as variações de horário, alguns filmes ficaram sem o final e com partes de outros programas no início, mas isso foram percalços de principiante.) Gostava de os rever todos um dia, os filmes que vivem agora em prateleiras...


Breve lista de filmes que registei na memória, desses anos 73 a 80: do Woody Allen vi vários: O ABC do Amor; Nem Guerra nem Paz; Annie Hall Manhattan (na altura uma revelação por ser a preto e branco!). Do Ingmar Bergman: Lágrimas e Suspiros e A Flauta Mágica. De Stanley Kubrick: 2001, Odisseia no Espaço; Laranja Mecânica Barry Lyndon. Do Bertolucci também: 1900 e La Luna (o Último Tango em Paris, tão falado nessa época, vê-lo-ei mais tarde e penso que na televisão). E um Visconti: Morte em Veneza. Como não podia deixar de ser os dois Copolla: O Padrinho e O Padrinho II. Com a Liza Minnelli: Cabaret e New York, New York. Algumas comédias românticas (ou serão dramas?) de que destaco: O Céu Pode Esperar (em certos momentos lembrou-me Capra) e O Nosso Amor de Ontem (com uma Barbara Streisand activista e um Robert Redford irresistível). E ainda com o Robert Redford: A Golpada (numa equipa perfeita com Paul Newman) e O Grande Gatsby. Sobre os efeitos da guerra do Vietname: O Regresso dos Heróis (com a Jane Fonda). Sobre o terrorismo: Resgate em Entebe. Também com o Richard Dreyfus: Inserts. Sobre a Inquisição: Os Diabos (com Vanessa Redgrave e Oliver Reed). Podem questionar-me: e então o Voando sobre um Ninho de Cucos? Vê-lo-ei anos mais tarde. Assim como o Scorsese Taxi Driver (o meu preferido) e os Spielberg Tubarão e E.T., que vi alguns anos mais tarde, mas ainda muito a tempo de descobrir o seu génio cinematográfico.

 

 

 

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publicado às 12:30

Saraband

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 07.12.08

Quando comecei a alinhavar um texto sobre Saraband, coloquei-o de lado com a sensação incómoda de não o entender, de não apreender toda a sua dimensão. Mais tarde, decidi avançar: nunca conseguimos apreender a ideia de um autor (aqui, do realizador, Ingmar Bergman). É sempre a nossa perspectiva, o nosso olhar que prevalece. Pode modificar-se, pode até aprofundar-se, mas é sempre o nosso olhar...

 

Ingmar Bergman é um homem do Cinema mas é, antes e acima disso, um homem do Teatro e das Personagens. Pelo menos, é assim que o vejo.
O meu Ingmar Bergman é o do Cinema, o dos morangos silvestres, o desses filmes quase medievais e misteriosos, de um mágico preto e branco... Filmes de diálogos numa língua estranha, de lugares ligados ao princípio dos tempos.
A partir dos anos 60, volta-se cada vez mais para as personagens e para o teatro. Consegue escavar pela alma humana dentro, de um modo que nos deixa desarmados. As personagens revelam a sua parte oculta, subterrânea. É implacável, quer desvendar tudo.
Comparativamente a tanta dor e violência, este Saraband até nos soa suave, tranquilo... mas não é nada suave e muito menos tranquilo...


Primeiro, vi a incomunicabilidade humana, um grande deserto.
Depois, uma diferença (intransponível?) entre duas naturezas aqui tão distintas: a masculina-desejo e território e a feminina-afecto e comunicação.


Retomo aqui o fôlego, porque a tarefa é difícil, pelo menos para mim. Ingmar Bergman é um génio, no sentido mais antigo e medieval do termo, no sentido mais terreno. O mundo que os seus filmes nos revela é um mundo de florestas sombrias, onde não entra o sol, um mundo de lagos aparentemente quietos, mas em que se adivinham tumultos. Como em Saraband...

 

Em Saraband Ingmar Bergman é sobretudo implacável com a natureza masculina. Em Johan: o lado racional que começa a fechar-se a tudo e a todos; para quem o desejo é a base de uma relação e também uma forma de se proteger do medo da saída de cena; que alimenta ódios e ressentimentos que utiliza para provar o seu poder sobre outros (domínio territorial?, forma de confirmar que ainda está vivo?).
E a personagem mais difícil de aceitar: Henrik, o filho de Johan, o homem que se encolheu a um canto, que desistiu de viver e se apoiou e pendurou na própria filha, colocando-a no lugar impossível da sua mulher morta. O egoísta, o dependente, que recorre às estratégias mais humilhantes para manter a companhia e a atenção constante da filha, querendo tornar-se necessário, imprescindível mesmo.


Implacável com a natureza masculina e incrivelmente amoroso com a natureza feminina. Aqui, numa visita à sua alma profunda: a sua bondade genuína e a sua generosidade sem limites. Enquanto o homem se fecha e se torna inacessível ao afecto, a mulher expande a sua compreensão. A mulher vê, entende, aceita. E, além de perceber, age.


Marianne quer salvar toda a gente, Johan, o ex-marido em primeiro lugar. Mesmo que isso ainda a magoe, sobretudo o silêncio, que é mais fácil de suportar à distância mas que é intolerável na proximidade. Marianne hesita à porta do terraço e fica a olhá-lo a dormitar, subitamente velho, subitamente vulnerável. Mas é um homem fechado em si próprio que acorda. Não é envolvente o olhar que a recebe. É um olhar fugidio e um riso nervoso. Tudo nele a gritar não devias ter vindo. E tudo em Marianne a dizer estou em paz, porque não consegues estar em paz também?


Há uma tristeza profunda em Marianne. As mulheres aprendem a aceitar o inaceitável, a meu ver. Vão para além dos seus limites para salvar alguém, mesmo que esse alguém apenas queira ser deixado em paz. E daí talvez não. Talvez Marianne tenha ouvido o seu grito de socorro silencioso. Mas mesmo que a sua conversa seja amena, Johan é-lhe inacessível. Todos o incomodam, aliás. Alimenta o ódio e desprezo pelo próprio filho. Não aceita a morte da nora por quem certamente terá sentido alguma atracção. Quer apoiar a neta, mas ficamos sem perceber se é para a libertar, para a ver autónoma e feliz, se apenas para ferir o filho.
Marianne evita julgá-lo. Ouve, tenta sensibilizá-lo e, quando vê que não é possível, aceita. Pura e simplesmente. Parece resignação, mas é outra coisa. Marianne aceita a natureza de cada um sem julgar.


Todos os diálogos são impressionantes. Mas nenhum tão intenso e doloroso como o de Marianne e Henrik. Aqui Marianne vê, talvez pela primeira vez, a dimensão do ódio neste homem sofredor. Sofrimento que talvez tenha nascido do convívio com um pai frio e egoísta, que gostava de o humilhar. Este homem sonha com a morte do pai. Como se essa morte lhe desse, a ele, a vida!


Aqui as mulheres resistem melhor, talvez porque a sua base, o seu suporte, não seja a agressividade ou a violência. Em Marianne é a sua capacidade de amar e de aceitar a natureza humana sem a questionar. Porque aceita a vida, o amor, os afectos, a compaixão, sofre. É inevitável. Até porque as pessoas que mais ama, as filhas, estão longe. Uma na Austrália, outra, muito mais longe, num hospital psiquiátrico.


Karin precisa desesperadamente de um espaço-tempo para viver e respirar. Marianne consegue despertar nela essa chama irrequieta, essa vontade de viver a sua própria vida, libertar-se das exigências insuportáveis do pai. Conquistará a sua autonomia em relação ao pai, que tenta o suicídio, de forma espectacular.

Johan fecha-se de novo no silêncio.

Marianne volta a casa e vai visitar a filha. Esta é, para mim, a cena mais tocante. Onde antes sentia uma grande distância, Marianne descobre, no olhar da filha, o milagre da comunicação.

 

 

 

 

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publicado às 15:21

Morangos silvestres

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 03.08.07

Bergman na sua ilha, como a personagem de Saraband. Bergman poético e cruel. A solidão irremediável, primeiro porque se procurou esse espaço existencial, respirável, entre nós e os outros, depois porque já não sabemos viver de outro modo.

Bergman reabre todas as feridas, sem dó nem piedade. As mais profundas, as mais insuportáveis. E de uma forma tão poética… de uma poesia límpida, fresca, áspera, dura. Como essa língua estranha. Mas a mais estranha, a que mais magoa, o silêncio. O silêncio mortal.

Há qualquer coisa de medieval nos seus filmes. Vêm de longe, de raízes muito profundas. Talvez das origens da nossa estranha natureza. Da nossa natureza animal, vegetal, mineral. Da nossa natureza que se confunde com a natureza.

Mas os morangos silvestres… os morangos silvestres...Envelhecer, lembrar, ver o essencial, aceitar a solidão, o afastamento emocional e afectivo. Doce, doce Sjöstrom. Será sempre o meu Bergman preferido. O terror do nosso fim, da inutilidade de toda uma existência. Olhar isso de frente. Aceitar tudo isso.

 

 

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publicado às 14:53


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